Quero…
um regaço para chorar,
mas um regaço enorme, sem forma,
espaçoso como uma noite de verão, e
contudo próximo, quente, feminino,
ao pé de uma lareira qualquer.
um colo, um berço,
um braço quente
em torno do meu pescoço,
uma voz que cante baixo
e que pareça querer fazer-me
chorar.
um calor no inverno,
um extravio morno da minha
consciência.
e depois, sem som,
um sonho calmo,
um espaço enorme como a lua
rodando entre as estrelas.
