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Arquivos mensais: Janeiro 2007

A arte de ser feliz…

Houve um tempo em que a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto.

Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio, ía atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como reflectidas no espelho do ar. Às vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante da minha janela, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.”
 
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Publicado por em Janeiro 26, 2007 em Cecília Meireles

 

Liberdade

O que é a liberdade? Esta pergunta, aparentemente tão simples leva-me a pensar seriamente no quão livre sou… Eu sinto-me especial, completa e totalmente livre! Tenho a liberdade de pensar o que quiser, de falar o que me apetecer, de sonhar como quiser… De desejar o infinito, o impossível, o inatingível! E ninguém me pode proibir de o fazer, absolutamente ninguém. Sou livre para escolher a roupa que uso, a música que oiço, os filmes que vejo… Sou livre para sentir uma paleta de emoções, cada uma colorida à sua maneira e à minha maneira… Sou livre para voar, porque dentro de mim, não há leis ou regras. Dentro de mim, o mundo torna-se no meu mundo e as pessoas assumem os lugares que eu lhes quero dar. As mais importantes são sempre as mais importantes e dentro de mim têm sempre ‘o’ lugar especial. E se eu quiser atribuir um lugar especial a mais alguém, apenas porque gosto do seu perfume, posso fazê-lo. Porque dentro de mim não há barreiras e sou livre… livre para poder ser eu…

 
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Publicado por em Janeiro 17, 2007 em Carla

 

Caminhar

Porque a vida não é só passado

Porque o hoje é o presente

Porque o futuro veste-se no amanhã

Porque o amanhã pede para ser vivido

 
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Publicado por em Janeiro 16, 2007 em Carla

 

Caminho…

Fui
Parei no meio do caminho
Resolvi voltar
Parei novamente
Sentei-me à beira do mar
As ondas batiam nas pedras
A brisa fez com que me perdesse do caminho
E depois de muito procurar encontrei
O mesmo velho e já cansado caminho
O caminho de sempre
O caminho que escolhi
O caminho que me aprisiona
O caminho que me faz estar aqui
O caminho que quero, afinal, caminhar…

 
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Publicado por em Janeiro 15, 2007 em Carla

 

Espelho d’Alma

Apego-me a detalhes, ao pequeno do já minúsculo, ao nada que para outros já foi tudo… Sou de extremos também… não devia, eu sei… mas não sei ser de outra forma… não sei, ou não quero?… ou então, não posso!…
Guardo cada impressão por menor que seja… cada palavra, cada gesto, cada lapso facial… mesmo as tensões labiais. É mais forte que eu, não consigo controlar… julgo ver, por vezes, para lá do que os meus olhos alcançam… ou será que sonho quando penso que vejo?
Sustenho o meu sopro e respiro aliviada ao passar por dentro de mim, sem vislumbrar, contornando os meus hábitos que incomodam o meu ser… fujo de mim quando me aproximo do meu encontro.
Aos outros, resta a dura tarefa de tentarem compreender-me… como se isso fosse fácil…
Partilho um punhado de pensamentos meus e insistem em dizer que já me conhecem… obrigam-me a fazer uso da dualidade do meu “eu”… emergem de mim, aquela que quero afogar… e então, é vê-los de olhares sedentos de curiosidade em descobrir mistérios que não existem, que nunca existiram…
Julgam-me pelas minhas vestes, pelo meu jeito de sorrir, pelos meus gostos musicais, literários, … sinto-me tantas e tantas vezes um animal aprisionado naquela que insistem construir como sendo eu…
O facto da minha existência preceder a minha essência, também incomoda. “Mera existencialista medíocre!”, hão-de pensar. Sequer escuto essas vozes que meramente ressoam no pensamento grotesco e doentio daqueles presumidos, que ousam chamar a si a detenção da verdade e da razão, do certo e do errado… no entanto, vozes mudas, impotentes pela ausência de veracidade e idoneidade… ressentidos incapazes de dar voz à sua própria voz…
Estou cansada de ser julgada pelos detalhes, mas não nego que, por vezes, forço uma interpretação e refuto, aos poucos, para deixar, quem se atreve a dizer-se conhecedor das minhas entranhas, num dilema excessivo, numa dúvida ocasionada por pura sagacidade…
Dementes são estes que se prendem a um papel de viverem em torno das suas almejadas vidas… vidas sonhadas mas nunca conquistadas, mutiladas pelo medo de tentar, pelo receio de falhar, pela deplorável hipocrisia…
E eu, quem sou eu? Sou, talvez, alma perdida… sobrevivo na pretidão da noite da existência humana… mas, ouso fazer-me dia… quero, preciso conquistar a minha vida, mesmo que seja só em pensamento…
Guardo cada gota desta fonte inesgotável que brota dentro de mim, para continuar a viver ao meu jeito… Os meus valores são meus… os meus detalhes, as peças do puzzle que sou eu, estão remendadas numa colcha mal costurada no porão da minha alma… que guardo só para mim…
 
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Publicado por em Janeiro 5, 2007 em Carla

 
 
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