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Eterna inocência…

06 Mar

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo…

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender…

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar…

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar…

 
1 Comentário

Publicado por em Março 6, 2007 em Alberto Caeiro (FP)

 

One response to “Eterna inocência…

  1. Å®t Øf £övë

    Novembro 8, 2007 at 10:12 pm

    >Litinha, Concordo inteiramente com este poema. Muitas vezes nós perdemos demasiado tempo a pensar no porquê das coisas, e esquecemo-nos que a vida está ai para ser vivida.Beijinhos.

     

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