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Dorme, meu amor

01 Out

dorme8.jpe

Dorme, meu amor, que o mundo já viu morrer mais
este dia e eu estou aqui, de guarda aos pesadelos.
Fecha os olhos agora e sossega – o pior já passou
há muito tempo; e o vento amaciou; e a minha mão
desvia os passos do medo. Dorme, meu amor –

a morte está deitada sob o lençol da terra onde nasceste
e pode levantar-se como um pássaro assim que
adormeceres, mas nada temas; as suas asas de sombra
não hão-de derrubar-me – eu já morri muitas vezes
e é ainda da vida que tenho mais medo. Fecha os olhos

agora e sossega – a porta está trancada; e os fantasmas
da casa que o jardim devorou andam perdidos
nas brumas que lancei no caminho. Por isso, dorme,

meu amor, larga a tristeza à porta do meu corpo e
nada temas: eu já ouvi o silêncio, já vi a escuridão, já
olhei a morte debruçada nos espelhos e estou aqui,
de guarda aos pesadelos – a noite é um poema
que conheço de cor e vou contar-to até adormeceres.

_________________________________________________________

 
1 Comentário

Publicado por em Outubro 1, 2007 em Maria do Rosário Pedreira

 

One response to “Dorme, meu amor

  1. Å®t_Øf_£övë

    Dezembro 22, 2007 at 7:01 pm

    E que bom é quando nos sentimos protegidos na escoridão da noite por aqueles que nos amam.
    Beijinhos.

     

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