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Casa

29 Nov

mulherdeitada.jpg

Tentei fugir da mancha mais escura
Que existe no teu corpo e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
Era a dor de ficar sem sepultura.

Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.

Só por dentro de ti há corredores
E em quartos interiores o cheiro a fruta
Que veste de frescura a solidão …

Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
O que me sai, sem voz, do coração.

 
1 Comentário

Publicado por em Novembro 29, 2007 em David Mourão-Ferreira, Poesia

 

One response to “Casa

  1. Å®t_Øf_£övë

    Dezembro 5, 2007 at 11:12 pm

    … só por dentro dela é que ele vive…
    … só dentro dela é que ele tem vida…

     

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