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>No amor é a alma aquilo que mais nos toca

01 Mar

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As mesmas paixões são bastante diferentes nos homens. O mesmo objecto pode-lhes agradar por aspectos opostos; suponho que vários homens podem prender-se a uma mesma mulher; uns a amam pelo seu espírito, outros pela sua virtude, outros pelos seus defeitos, etc. E pode até acontecer que todos a amem por coisas que ela não tem, como quando se ama uma mulher leviana a quem se julga séria. Pouco importa, a gente prende-se à idéia que se tem prazer em fazer dela; e é mesmo apenas essa idéia que se ama, não é a mulher leviana. Assim, não é o obje­to das paixões que as degrada ou as enobrece, mas a ma­neira como a gente o encara.

Ora, eu disse que era pos­sível que se buscasse no amor algo mais puro do que o interesse dos nossos sentidos. Eis o que me faz pensar assim. Vejo todos os dias no mundo que um homem cer­cado de mulheres com as quais nunca falou, como na missa, no sermão, nem sempre se decide pela mais boni­ta, ou mesmo pela que lhe pareça tal. Qual a razão disso? É que cada beleza exprime um carácter bem particular, e preferimos aquele que melhor se encaixa no nosso. É pois o carácter que nos determina algumas vezes; é então a alma que procuramos: não me podem negar isso. Por­tanto, tudo o que se oferece aos nossos sentidos só nos agrada como a imagem daquilo que se esconde à vista deles; portanto, só gostamos então das qualidades sensí­veis como órgãos do nosso prazer, e com subordinação às qualidades imperceptíveis aos sentidos, de que elas são a expressão; portanto, pelo menos é verdade que a alma é aquilo que mais nos toca. Ora, não é aos sentidos que a alma é agradável, mas ao espírito: assim, o interes­se do espírito torna-se o principal, e se o interesse dos sentidos lhe fosse oposto, nós o sacrificaríamos. Basta pois nos persuadirmos de que ele lhe é verdadeiramente oposto, que é uma nódoa para a alma. Eis o amor puro.
Amor no entanto verdadeiro, que não se deve con­fundir com a amizade; porque na amizade, é o espírito que é o orgão do sentimento; aqui, são os sentidos. E como as idéias que vêm pelos sentidos são infinitamente mais poderosas do que as vistas da reflexão, o que elas inspiram é a paixão. A amizade não vai tão longe.
in ‘Das Leis do Espírito’

 
3 Comentários

Publicado por em Março 1, 2008 em Luc de Clapiers Vauvenargues

 

3 responses to “>No amor é a alma aquilo que mais nos toca

  1. Nogs

    Maio 7, 2008 at 4:29 pm

    >Parabéns pelo texto.Eu também acho, que no fundo, aquilo que nos faz realmente amar alguém é a sua alma e a sua aura. Mesmo que tudo isso comece inicialmente por um: “Wooo, quem é aquele giraço”?Beijinho doce

     
  2. Å®t Øf £övë

    Abril 10, 2008 at 11:24 pm

    >Litinha,A principal questão, é que homens e mulheres têm um cerebro completamente diferente, daí que aquilo a que dão importância tem prioridades bem diferentes. Então no amor…O homem é muito mais sensivel ao aspecto físico, enquanto que na mulher o que mais as cativa é a atenção, o saber ouvir, o ambiente envolvente que se é capaz de criar, e até aquilo que se lhes escreve.Homens e mulheres somos realmente diferentes, talvez até opostos em certa medida, e como se costuma dizer que os opostos se tocam, talvez seja por isso que homens e mulheres são seres tão complementares uns dos outros.Beijinhos.

     
  3. Eternessências

    Março 2, 2008 at 3:07 am

    >Acredito nisto!…O amor se estabelece primeiro na alma,porque é nela que se encontra o que é substancial!…Um bom final de semana para você!Carinho, Rose.

     

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