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Nem todo o corpo é carne…

27 Abr

Nem todo o corpo é carne… Não, nem todo.
Que dizer do pescoço, às vezes mármore,
às vezes linho, lago, tronco de árvore,
nuvem, ou ave, ao tacto sempre pouco…?

E o ventre, inconscientemente como o lodo?…
E o morno gradeamento dos teus braços?
Não, meu amor… Nem todo o corpo é carne:
é também água, terra, vento, fogo…

É sobretudo sombra à despedida;
onda de pedra em cada reencontro;
no parque da memória o fugidio

Vulto da Primavera em pleno Outono…
Nem só de carne é feito este presídio,
pois no teu corpo existe o mundo todo!

 
4 Comentários

Publicado por em Abril 27, 2008 em David Mourão-Ferreira, Poesia

 

4 responses to “Nem todo o corpo é carne…

  1. Ayan

    Junho 8, 2008 at 9:38 pm

    È verdade. Nem todo corpo é carne. Mas todo corpo é falta, ausência, dor e falta de quem se ama. Ele sente. Ele sabe.

    Bjs,

     
  2. Anabela

    Maio 7, 2008 at 4:41 pm

    Existem corpos assim, Litinha.

    O poema está lindo.

    Beijo

     
  3. Å®t Øf £övë

    Maio 4, 2008 at 10:34 pm

    Litinha,
    E para existir um mundo todo dentro de um corpo, certamente não lhe faltará a alma…
    Beijinhos.

     
  4. Christopher Leibow

    Abril 28, 2008 at 4:22 am

    I love this poem especially the last stanza, even though I only get a fraction of it because I don’t read hardly any Portuguese. Do you have any translation for us unilingual Americans?

     

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