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Labirinto ou não foi nada

17 Jun

Talvez houvesse uma flor
aberta na tua mão.
Podia ter sido amor,
e foi apenas traição.

É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua…
Ai de mim, que nem pressinto
a cor dos ombros da Lua!

Talvez houvesse a passagem
de uma estrela no teu rosto.
Era quase uma viagem:
foi apenas um desgosto.

É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua…
Só o fantasma do instinto
na cinza do céu flutua.

Tens agora a mão fechada;
no rosto, nenhum fulgor.
Não foi nada, não foi nada:
podia ter sido amor.

 
1 Comentário

Publicado por em Junho 17, 2008 em David Mourão-Ferreira, Poesia

 

One response to “Labirinto ou não foi nada

  1. Å®t Øf £övë

    Junho 30, 2008 at 11:56 pm

    Litinha,
    Há labirintos que de tão negro ser o seu fundo que não vale a pena tentar percorrer.
    Beijinhos.

     

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