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… qualquer coisa da sombra me espreitava

12 Ago

Olhei o homem e dentro estava ainda
qualquer coisa que da sombra me espreitava.
Era um espelho, como um céu de noite
em que as estrelas são tantas e pesam sobre ti,
e te espiam e, de facto, não te vêem,
ficam no escuro como pedras sem lembranças,
mas estão lá, qual memória da vida,
e tu és um sopro do teu ser longínquo…
Procurei no espelho, e quase lá no fundo
estava outro qualquer que me buscava,
alguém que sofria a sua própria dor,
e eu já não era nada, era só a história
que não se via já atrás do espelho.

Eu era outro e via-me a morrer
como a dormir se vê a sombra.
Põe medo a morte dentro do coração
e foge atrás de um espelho, e lá estou eu.
Vejo a vida e a vontade morre:
façam o que quiserem, mas usai-me!
Chamai-me, chamai-me, não me deixeis dormir,
pois sinto que esqueço a minha história
e me torno o homem do meu morrer…
Amor que vem a mim da luz da lua,
alegria de água que passa entre os vivos!

 
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Publicado por em Agosto 12, 2010 em Franco Loi, Poesia

 

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