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Arquivo da Categoria: Carla

Agonia

Balança-se na cadeira em movimentos descontrolados. É prisioneira de si, dum cativeiro edificado com as células mortas do seu corpo. Da sua farta e linda cabeleira loira restam agora umas penugens grisalhas. As mãos esguias e elegantes, agora esqueléticas, pendem apoiadas nos braços da cadeira, quase inertes… Aqueles que outrora se chamaram de lábios e que ecoaram o seu imenso amor pela vida, hoje libertam sons imperceptíveis, angustiantes. Consciente, por vezes, da sua ruína, nos momentos (parcos) que lhe restam de lucidez, amaldiçoa o presente envenenado que lhe retribuíra a vida, apenas e só apenas, porque tivera a “ousadia” de existir, facto que nem sequer lhe era imputado. Volta e meia, alucina. Não sabe quem é, quem são aqueles que a rodeiam, nem ele… a ele deixou de reconhecer. A ele a quem devia toda a sua existência. A ele, aquele que fez dela uma rainha. Que a coroara com o seu eterno amor, a sua dedicação, o seu corpo, a sua alma, todo o seu ser ao longo de tantos anos de coexistência, partilha e cumplicidade.

Ele, hoje, está perdido. Lutara com todas as suas forças. Desafiara a natureza humana na ânsia de a fazer agarrar a vida, receoso de a perder… Não venceu esta luta desigual. Quem era ele, afinal? Um simples mortal incapaz de travar a evolução galopante da deterioração. Perdeu a esperança. E a esperança era a estrutura da sua força interior. Agora arrasta-se pelos corredores. Não sabe viver sem ela. Está perdido de si mesmo. Vive na ressaca dum grande amor que fora arrancado do seu peito. Chora. Hoje chora sem saber porquê. Tudo nele se desmoronou. Nada, agora, faz sentido sem ela. Não sabe se lhe doeria mais a sua perda se a sua presença ausente. Olha-a. Continua a olhá-la como sempre o fizera mas, já não se revê no seu olhar. Recolheu-se ao silêncio da sua alma. Já não reclama, não pede, não retorque, não quer, não deseja, não luta… deixa-se ir com ela… a p a g o u – s e…

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Publicado por em Fevereiro 28, 2010 em Carla

 

Sem palavras

 

Fotografia de Graça Loureiro

Às vezes faltam-me as palavras certas… Ou, talvez, elas nem existam…
Palavras e gestos nutrem-se de silêncios…

 
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Publicado por em Setembro 1, 2008 em Carla

 

Silêncios

 

Fotografia de Graça Loureiro
Omitir, mentir e silenciar são atitudes comportamentais que têm que ser analisadas em separado e com conhecimento do respectivo contexto.
Se omites, silencias-te e obviamente estás a mentir!… Parece-me uma ilação prematuramente radical e assenta tão-só numa suposição.
Nem sempre quem omite ou se cala, está a mentir!… mas, como não sou apologista de cogitações sobre o que ainda é uma suspeita, opto pelo diálogo… obrigatoriamente, “doa a quem doer”!…
Abomino silêncios deliberados e manipuladores (há muito disto hoje em dia, lamentavelmente!…) e defendo, unicamente, o necessário ao reajuste do nosso eu!… muito haveria a falar sobre silêncios!…
 
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Publicado por em Junho 13, 2008 em Carla

 

Jeito de vestir

Fotografia de Graça Loureiro
Gosto do “colete” que uso… foi escolhido por mim!…
Também gosto de presentes mas, no que à roupa diz respeito prefiro ser eu a escolher… não quero, não gosto, não deixo que outros interfiram no meu jeito de vestir!…
Não sou de modas, também!… faço a minha moda!… é ela que me define, que faz de mim aquela que sou eu…
Às vezes ajusto-o demasiado… julgo ser capaz e auto-suficiente para suportar tão imensa pressão mas, é pura e inconsciente distorção da realidade que me rodeia…
Sufoco!… Sufoco, vítima da minha descabida convicção na utópica perfeição…
Mas, se quero (e quero!…) continuar a respirar, atenuo o cordel que o ata, o suficiente para voltar a enxergar as cores e não o preto e branco, nefasto resultado da minha teimosia em querer que tudo tenha, obrigatoriamente um único lugar sem cedências nem tolerâncias…
Tive uma outra vida… e nela quase (quase!…) que estagnei a circulação sanguínea, fruto da minha obstinação em apertá-lo tanto, moldando-o ao meu corpo, achando-me desta forma mais confortável… estava errada!… mas, foi uma opção!… ou, talvez não!…
Hoje, sinto-me numa nova vida… e nesta, optei por um novo visual…
Talvez… Talvez até me favoreça a roupa menos justa!…
E, nesta pequena vida que é o dia de hoje, afrouxo o “colete”… quero respirar!… inspirar e expirar livremente, sem repressões, ao sabor das minhas necessidades, dos meus desejos…

 
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Publicado por em Junho 10, 2008 em Carla

 

>Momentos que se estendem no tempo…

>

Fotografia de Rui V.

Às vezes a luz quase… quase se apaga…

 
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Publicado por em Maio 28, 2008 em Carla

 

>Facilidade aparente

>

Fotografia de Pedro Noel da Luz
É o abismo, a queda inevitável.
Já nada se tem para dizer uns aos outros. Ninguém fala. É o silêncio. Já ninguém se admira, ninguém se incomoda por causa disso. O silêncio de afeição e comunhão é geral. Já ninguém se importa. É assim.
Pelo contrário e curiosamente há uma espécie de facilidade de viver, de brincar a isso:
… a viver.
 
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Publicado por em Maio 11, 2008 em Carla

 

>Eu aprendi

>

Que só dentro de mim e reconciliando-me comigo, encontrarei e poderei fazer germinar a semente da felicidade…
Tudo o mais virá naturalmente e em consequência da minha paz interior…

 
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Publicado por em Janeiro 4, 2008 em Carla

 
 
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