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Arquivo da Categoria: Álvaro de Campos

Vale a pena sentir…


Vim aqui para não esperar ninguém,
Para ver os outros esperar,
Para ser os outros todos a esperar,
Para ser a esperança de todos os outros.
Trago um grande cansaço de ser tanta coisa.

E de repente impaciento-me de esperar, de existir, de ser,
Vou-me embora brusco…
Regresso à cidade como à liberdade.

Vale a pena sentir para ao menos deixar de sentir.

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Publicado por em Agosto 14, 2010 em Álvaro de Campos, Poesia

 

Começo a conhecer-me. Não existo.

01.jpg

Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo, porque também há vida …
Sou isso, enfim …
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.

 
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Publicado por em Agosto 11, 2007 em Álvaro de Campos

 

Tabacaria

mascara.jpg

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(…)
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
(…)

 
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Publicado por em Agosto 10, 2007 em Álvaro de Campos, Poesia

 
 
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