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O Homem e a Mulher

O homem é a mais elevada das criaturas.
A mulher, o mais sublime dos ideais.
Deus fez para o homem um trono; para a mulher fez um altar.
O trono exalta e o altar santifica.
O homem é o cérebro; a mulher, o coração. O cérebro produz a luz; o coração produz amor. A luz fecunda; o amor ressuscita.
O homem é o génio; a mulher é o anjo. O génio é imensurável; o anjo é indefenível;
A aspiração do homem é a suprema glória; a aspiração da mulher é a virtude extrema; A glória promove a grandeza e a virtude, a divindade.
O homem tem a supremacia; a mulher, a preferência. A supremacia significa a força; a preferência representa o direito.
O homem é forte pela razão; a mulher, invencível pelas lágrimas.
A razão convence e as lágrimas comovem.
O homem é capaz de todos os heroísmos; a mulher, de todos os martírios. O heroísmo enobrece e o martírio purifica.
O homem pensa e a mulher sonha. Pensar é ter uma larva no cérebro; sonhar é ter na fronte uma auréola.
O homem é a águia que voa; a mulher, o rouxinol que canta. Voar é dominar o espaço e cantar é conquistar a alma.
Enfim, o homem está colocado onde termina a terra; a mulher, onde começa o céu.

Victor Hugo

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Publicado por em Março 12, 2011 em Victor Hugo

 

Amor Amante

Ah, esse teu perfume que me deixa
saudade e desperta doce lembrança,
ainda está em minhas mãos…

Ah, esse teu olhar que minh’alma invade
e me desnuda a ser em louco desejo,
e desperta doce lembrança,
ainda está em meu olhar…

Ah, esse teu corpo que se entrega
e se perde na carícia, no beijo,
e que recebe meu corpo quase cego,
e desperta doce lembrança,
ainda sinto ao meu lado…

Ah, esse amor que me consome,
maltrata sufoca e conforta,
é alimento, é vida, sabor de pecado…
faz renascer minh’alma quase morta…

Ah, essa saudade que sinto a todo instante…
e desperta doce lembrança,
a certeza de que vivo,
de que amo… e sou amante…

Carlos Saad

 
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Publicado por em Março 12, 2011 em Carlos Saad

 

A Mulher mais bonita do Mundo

“estás tão bonita hoje. quando digo que nasceram flores novas na terra do jardim, quero dizer que estás bonita. entro na casa, entro no quarto, abro o armário, abro a gaveta, abro a caixa onde está o teu fio de ouro. entre os dedos, seguro o teu fino fio de ouro, como se tocasse a pele do teu pescoço. há o céu, a casa, o quarto, e tu estás dentro de mim. estás tão bonita hoje. os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios. estás dentro de algo que está dentro de todas as coisas, a minha voz nomeia-te para descrever a beleza. os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios. de encontro ao silêncio, dentro do mundo, estás tão bonita é aquilo que quero dizer”

José Luís Peixoto, in ” A Casa, a Escuridão”

 
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Publicado por em Março 8, 2011 em José Luís Peixoto

 

O Dom Milagroso de um Grande Amor

Na vida de toda a gente há braçados floridos dessas tolices sem importância. Só a raros eleitos é dado o milagroso dom de um grande amor. Eu teria muita pena que o destino não me trouxesse esse grande amor que foi o meu grande sonho pela vida fora. Devo agradecer ao destino o favor de ter ouvido a minha voz. Pôr finalmente, no meu caminho, a linda alma nova, ardente e carinhosa que é todo o meu ampa­ro, toda a minha riqueza, toda a minha felicidade neste mundo. A morte pode vir quando quiser: trago as mãos cheias de rosas e o coração em festa: posso partir contente.

Florbela Espanca

 
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Publicado por em Março 7, 2011 em Florbela Espanca

 

El pescador y la botella mágica

Un pescador encontró entre sus redes una botella de cobre con el tapón de plomo. Parecía muy antigua. Al abrirla salió de repente un genio maravilloso que una vez liberado le dijo al pescador:

– Te concedo tres deseos por haberme sacado de mi encierro. ¿Cuál es tu primer deseo?

– Me gustaría que me hicieras lo bastante inteligente y claro como para hacer una elección perfecta de los otros dos deseos – dijo el pescador.

– Hecho – dijo el genio -, y ahora, ¿cuáles son tus otros dos deseos?

El pescador reflexionó un momento y dijo:

– Muchas gracias, no tengo más deseos.

Cuento sufista

 
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Publicado por em Março 6, 2011 em Desconhecido

 

As meninas

«…Afonso sorri e conta o caso do Alvarinho. Um solteirão, que vivia só, sem cuidados nem desvelos. Não por falta de dinheiro mas de motivação. Ainda que de uma forma respeitosa, a sua figura era um dá que rir pela cidade. Além do mais, os homens – aqueles que coçam as intimidades no café – não lhe perdoavam a sua vida celibatária. Gozavam com a sua eventual virgindade, porque homem que é homem tem de molhar o pincel. O Alvarinho respondia com um sorriso amaneirado, encolhia os ombros e mudava de poiso como um pardal de rua.

Uma noite apareceu de barba feita, cabelinho cortado com uma pontinha de gel. E cheiroso. Só destoava o casaquito do século passado já a clamar por reforma. Foi a festa no Café Central. Alvarinho, de onde vem tanta elegância? Perguntaram. Fui às meninas, respondeu de peito cheio. Saiu logo uma rodada por conta da casa. Festejaram. Finalmente temos homem. Grande Alvarinho…!

Um dia e outro dia. O Alvarinho aparecia sempre bem penteado e cheiroso. Com tanto zelo, foi-se compondo a figura. Comprou um casaco novo por recomendação das meninas. E uma gravata da cor da moda. Uns sapatos novos porque as meninas achavam que os outros estavam consumidos. E até mudou de óculos. As meninas diziam que agora parecia mais jovem. Estás um espanto, diziam. Grande Alvarinho! – gritavam no café. Como vês, nada como molhar o pincel para nascer uma nova alma. Ele sorria e não mudava de poiso. Era um pardal já senhor de si. E todos os dias ele ia às meninas :

Sentava-se na cadeira e elas lavavam-lhe a cabeça com água morna. Deliciava-se com os dedos femininos a passarem pelo seu cabelo. Com o cheiro das suas peles frescas. Com o ondular dos seus seios encostados a ele e reflectidos no espelho. Aparavam-lhe o cabelo e passavam-lhe um after-shave pela cara. Aqueles minutos no cabeleireiro, para ele, valiam por uma carícia, por uma noite de amor. Eram os únicos toques femininos que tinha na vida, mas chegavam para o que eram os seus desejos. Sentia-se acarinhado. Adeus Alvarinho! – diziam elas dando-lhe um beijo. Até amanhã meninas! Até amanhã…»

João Morgado, In: Diário dos Infiéis
Romance, 2010, Oficina do Livro

«Deliciava-se com os dedos femininos a passarem pelo seu cabelo. Com o cheiro das suas peles frescas»


 
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Publicado por em Março 6, 2011 em João Morgado

 

O que sempre soube das mulheres

Tratam-nos mal, mas querem que as tratemos bem. Apaixonam-se por serial-killers e depois queixam-se de que nem um postalinho. Escrevem que se desunham. Fingem acreditar nas nossas mentiras desde que tenhamos graça a pregá-las. Aceitam-nos e toleram-nos porque se acham superiores. São superiores. Não têm o gene da violência, embora seja melhor não as provocarmos. Perdoam facilmente, mas nunca esquecem. Bebem cicuta ao pequeno-almoço e destilam mel ao jantar. Têm uma capacidade de entrega que até dói. São óptimas mães até que os filhos fazem 10 anos, depois perdem o norte. Pelam-se por jogos eróticos, mas com o sexo já depende. Têm dias. Têm noites. Conseguem ser tão calculistas e maldosas como qualquer homem, só que com muito mais nível. Inventaram o telemóvel ao volante. São corajosas e quando se lhes mete uma coisa na cabeça levam tudo à frente. Fazem-se de parvas porque o seguro morreu de velho e estão muito escaldadas. Fazem-se de inocentes e (milagre!) por esse acto de vontade tornam-se mesmo inocentes. Nunca perdem a capacidade de se deslumbrarem. Riem quando estão tristes, choram quando estão felizes. Não compreendem nada. Compreendem tudo. Sabem que o corpo é passageiro. Sabem que na viagem há que tratar bem o passageiro e que o amor é um bom fio condutor. Não são de confiança, mas até a mais infiel das mulheres é mais leal que o mais fiel dos homens. São tramadas. Comem-nos as papas na cabeça, mas depois levam-nos a colher à boca. A única coisa em nós que é para elas um mistério é a jantarada de amigos – elas quando jogam é para ganhar. E é tudo. Ah, não, há ainda mais uma coisa. Acreditam no Amor com A grande mas, para nossa sorte, contentam-se com pouco.

Rui Zink, in “Jornal Metro”

 
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Publicado por em Março 4, 2011 em Rui Zink

 
 
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